domingo, 4 de outubro de 2009

CASAMENTO X CRIATIVIDADE

Elos & aros

Perdi minha aliança de casamento há quatro anos. Um incidente que eu diria triste, embora remediável. Poderia fazer outra, uma substituta que perderia a originalidade das marcas e lembranças de uma fase importante de minha vida.

O tempo de namoro foi o que eu havia sonhado e se transformou em realidade.

Era o princípio dos anos 70: Beatles, bailes, cinema, moto e muita “gamação”.

Da sacada da sala de aula do meu colégio, atendi ao sinal do meu namorado que descia a Rua da Glória com a moto desligada. Fugi do colégio, como fizera de outras vezes, para encontrar-me com ele. Naquela manhã, ele me levou à loja de um joalheiro na Av. Francisco Sá.

Muito tímida, experimentei vários tipos de aros, que pareciam de lata. Escolhemos um como modelo de nossa aliança. Lembro-me que pedi a gravação do primeiro nome em vez das iniciais como era o costume.

É uma sensação gostosa a lembrança daquela manhã. Ressurge aquela adolescente apaixonada e correspondida que vivia intensamente aquele momento, desligada do resto do mundo. Não me lembro de ter lembrado de contar para alguém o ocorrido.

Éramos os personagens principais do ritual do noivado, o primeiro acontecimento de duas famílias grandes e conservadoras, ainda que dispensássemos tais formalidades. Valeu.

Assim como no casamento compartilhamos e brindamos. Uma concessão aos amigos e parentes de participarem de nossa felicidade. Nossa vontade mesmo era de estarmos a sós, mas todo o tempo ainda era pouco.

E assim tem sido. Fizemos questão de aproveitar as oportunidades que ficamos a sós e nos proporcionamos os momentos de jogar conversa fora, afora o tempo das três “crianças”, família e compromissos.

A aproximação do dia 04 de maio de 1999, quando comemoraremos os 25 anos de casamento, tem feito me lembrar da aliança original, desejando-a muito. Perguntei ao Mário, um bombeiro conhecido, se o anel que havia caído no vaso sanitário do meu banheiro, há quase cinco anos, teria sido despejado no rio Grande, que é para aonde vai todo o esgoto da cidade. E ele foi profético: “Sua aliança continua no fundo do vaso. Só o que tem a fazer é meter a mão dentro do vaso e retirá-la”.

Incrédula, pelo sim e pelo não, fiz o que ele havia dito.

A emoção que senti ao perceber a aliança com o toque da ponta do meu dedo foi igual ou maior, não sei, que a emoção daquela manhã no joalheiro.

Com certeza, na comemoração das Bodas de Prata, todas as recordações, fatos e marcas serão tão originais como tem sido a nossa vida.

Diamantina, 25 de janeiro de 1999.

Observação: não houve comemoração.

2 comentários:

  1. Imagino quanta "M" essa aliança viu passar nestes anos da vida, literalmente "privada".
    Agora recuperada ela só vai ver coisas boas pelos próximos 25 anos.
    Ela só não pode é cair do dedo estando na garupa a 100km/h...
    Felicidades!

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  2. Há controvérsias.
    Prometi retirá-la se o piloto esquecer da legitimidade da garupa.
    Aproveito para agradecer-lhe a atenção.Você é o primeiro "seguidor" .

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